Friday, Sep 10th

Ultima Atualizacao03:13:45 PM GMT

Headlines:
> Comportamento

A alteridade como desafio

E-mail Imprimir PDF

 Reconhecer o próximo é parte essencial para a própria percepção de si, já que o "eu" só existe no contato com o outro, em um processo em que cada um se torna interdependente.
Por Rodrigo Santos Manzano;
Portal Ciência e Vida - Revista Filosofia - Edição 50

As divergências entre a psicanálise e a psiquiatria estão mal focadas

E-mail Imprimir PDF

Revista Cult ed 140Freud dizia que a relação entre a psicanálise e a psiquiatria seria semelhante à que encontramos entre o urso-polar e a baleia. Como vivem em ambientes diferentes, a comunicação e colaboração entre ambos seria improvável ou impossível. Freud mostrou-se um péssimo climatologista. Não previu que os buracos na camada de ozônio derreteriam as geleiras e que, em meio ao desastre ecológico, finalmente ursos-polares e baleias poderiam vir a fazer parte do mesmo ambiente. Assim está nossa paisagem clínica hoje, com muitos pacientes da psicanálise tomando antidepressivos e muitos pacientes psiquiátricos aspirando à escuta de seu sofrimento. Quanto a quem será o urso e quem será a baleia, resta a controvérsia.
Divergências entre psicanálise e psiquiatria estão mal focadas. Não há nada de contrapsicanalítico na tese de que a depressão é um desequilíbrio dos mecanismos de produção e recaptação de neurotransmissores como serotonina ou dopamina. Não há nada de avesso à psicanálise no argumento de que a depressão não é tristeza e que ela constitui uma "doença" em sentido lato ou estrito. Considero atitude de principiante acusar a psicanálise de fazer apologia da depressão, ou dizer que ela trabalha na moral da culpa e da "falta de vontade". As diferenças relevantes começam quando examinamos de perto certas suposições sobre as quais há de fato consenso genérico entre psicanálise e psiquiatria.

De Frente Para a Morte

E-mail Imprimir PDF

De Frente Para a MorteApesar da postura esperada por nós espíritas de maior tranqüilidade diante da morte, visto que nossa doutrina é baseada na reencarnação, isto é, acreditamos na  nossa existência e na nossa identidade espiritual antes desta vida e continuando-se após ela, lidamos com situações diárias onde esta questão sempre se torna um assunto delicado. Entender racionalmente a vida após a morte parece, em um primeiro momento, não nos trazer sentimentos diferentes daqueles que não acreditam. Apesar da continuidade de nossa existência infinita, esse corpo morre e por algum período de tempo haverá uma espera até os nossos reencontros esperados, trazendo tanto para quem fica quanto para quem retorna, sentimentos de perda.

Terapias para todos os gostos e necessidades

E-mail Imprimir PDF

As psicoterapias – Modelos, métodos e indicações. Marie Rose Moro e Christian Lachal. Vozes, 2008. 272 págs. R$ 38,00As psicoterapias – Modelos, métodos e indicações, escrito pelos psiquiatras e psicanalistas Marie Rose Moro, chefe do serviço de psicopatologia do Hospital Avicenne, e Christian Lachal, professor da Universidade Paris-13 apresenta um panorama do que a psicologia clínica oferece atualmente.

Mestrado em Psicologia da UCDB abre Incrições para Aluno Especial 2008/B

E-mail Imprimir PDF

MestradoO Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu – Mestrado em Psicologia - Área de Concentração Psicologia da Saúde - da Universidade Católica Dom Bosco UCDB, Campo Grande – MS, lança edital para inscrições de Aluno Especial ano acadêmico e turma de 2008/B, nas seguintes disciplinas:

•         Identidade e Representação Social – Código 4271
•         Qualidade de Vida, Saúde e Trabalho – Código 4239

Reações psicológicas diante da gravidez complicada por uma malformação fetal

E-mail Imprimir PDF

GravidezTrabalho realizado na UNICAMP no Programa de Medicina Fetal do Centro de Atenção de Saúde à Mulher, visa descrever e analisar as reações psicológicas de pacientes atendidas neste serviço, com gestantes grávidas de fetos com diagnóstico de malformação fetal.

 

 

 

 

 

 

 

REAÇÕES PSICOLÓGICAS DIANTE DA GRAVIDEZ COMPLICADA POR UMA MALFORMAÇÃO FETAL

 

PSYCHOLOGICAL REACTIONS OF PREGNANCY COMPLICATED BY FETAL MALFORMATION

 

 

 

 

Autores: Maria Silvia V. Setúbal (1), Ricardo Barini (2), Renata Zaccaria (3), João Luiz Pinto e Silva (4)

1. Psicóloga, Programa de Medicina Fetal CAISM/UNICAMP

2. Professor Assistente Doutor da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Tocoginecologia FCM/UNICAMP, Coordenador Programa de Medicina Fetal CAISM/UNICAMP

3. Médica contratada da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Tocoginecologia FCM/UNICAMP.

4. Professor Adjunto da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Tocoginecologia FCM/UNICAMP.

 

Classificação: artigo original.

Instituição: Programa de Medicina Fetal - (PMF) Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas, SP, Brasil.

Endereço: Dr. Ricardo Barini

Rua Francisco Humberto Zuppi, 500

Campinas, SP, CEP 13083-350

Brasil

Fone/fax: 55-19-32894161

E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 

Resumo:

Objetivos: Descrever e analisar as reações psicológicas de pacientes atendidas em um Programa de Medicina Fetal (PMF) cujos fetos apresentavam risco ou diagnóstico de malformação fetal.

Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo dos prontuários das pacientes atendidas no PMF do Centro de Atenção à Saúde da Mulher (CAISM)/UNICAMP, São Paulo, Brasil, uma instituição pública de caráter assistencial e de terciário. O período do estudo cobriu o primeiro ano de atividade do programa, com ênfase para as visitas médicas e aconselhamento psicológico, onde 73 pacientes atendidas entre junho de 1993 e junho de 1994. Foram realizadas entrevistas e aconselhamento psicológico durante todo o processo de atendimento médico do ciclo grávido-puerperal em questão. Foram avaliadas as reações psicológicas das pacientes frente ao diagnóstico de malformação fetal em entrevistas individuais.

Resultados: As reações psicológicas diferiram em intensidade e são descritas como: choque, negação, raiva-tristeza, instabilidade emocional e reorganização.

Conclusão: O aconselhamento psicológico é de significativo auxílio para pacientes submetidas ao processo diagnóstico de malformação fetal.

Palavras-chave: malformação fetal, psicologia da gravidez, psicologia materna Reações psicológicas diante da gravidez complicada por uma malformação fetal.

 

 

1. Introdução

A gravidez pode ser caracterizada como uma fase de transição durante o desenvolvimento emocional da mulher que causa mudanças não só nas aparências externas, mas também internas de envolvimento sócio emocional. É marcada por importante vulnerabilidade emocional e por sentimentos ambivalentes que não devem ser desconsiderados. Caplan (1) sugere que as expectativas da mulher grávida no que diz respeito a seu novo papel de mãe, podem induzir fantasias quanto à sua definição de maternidade e afetar seu estado emocional. Complicações ao longo da gravidez podem transformar essa fase de transição considerada normal numa crise emocional.

 

Para Maldonado (2) qualquer que seja sua natureza quando há um risco real para a mãe ou o bebê durante a gravidez, as expectativas e ansiedades envolvidas são muito ampliadas. O medo universal de ter um bebê anormal, pode ter o significado emocional de punição ou de não ter sido capaz de produzir nada que seja bom ou significativo. Isso é claramente expresso através dos sentimentos ambivalentes que a mulher grávida normalmente tem em relação ao recém-nascido.

 

Coexistem sentimentos bons e ruins: ela deseja a criança e ao mesmo tempo a teme. Cada vez que os sentimentos ruins aparecem são imediatamente reprimidos. A mãe tem receio de que sentimentos ruins possam causar danos ao feto. Quando se detecta uma malformação, a mãe vivencia sentimentos assustadores, pois significa a confirmação de suas fantasias, o que pode ser muito desagregador. O casal também é afetado pelos acontecimentos. Aspectos regressivos de suas personalidades são intensificados levando a maior vulnerabilidade emocional. Soifer (3) refere-se a esses sentimentos como uma ferida narcísica profunda, difícil de ser superada e que leva muito tempo para cicatrizar.

 

A capacidade em lidar com a realidade da malformação depende de sua gravidade, da estrutura emocional da família, bem como dos cuidados médicos especializados e de assistência psicológica consistente. A família deve compreender claramente a realidade que está enfrentando conhecer e discutir as alternativas disponíveis. O Programa de Medicina Fetal (P.M.F.) da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, foi formado em junho de 1993 para dar assistência integral a todos seus pacientes. É um grupo multidisciplinar cujo objetivo é combinar os recentes avanços tecnológicos de assistência pré-natal, com uma compreensão global das necessidades físicas, psíquicas e sociais de suas pacientes.

 

A experiência desenvolvida nestes anos com casais grávidos de fetos malformados ou um risco de estar acometido, permitiu acumular conhecimentos e experiências particulares que entendemos oportuno compartilhar neste trabalho.

 

 

2. Objetivos do estudo

1. Descrever e analisar a prática da intervenção psicológica em gestantes cujos fetos tinham riscos ou apresentavam alguma malformação.

2. Apresentar algumas das características psicológicas de um grupo de pacientes assistidos no Programa de Medicina Fetal.

 

 

3. Sujeitos

O estudo baseou-se nas primeiras 73 mulheres grávidas atendidas no Programa de Medicina Fetal entre junho de 1993 e junho de 1994. Dois grupos principais de gestantes são encaminhadas ao serviço:

1. Grupo 1 - aquelas procurando diagnóstico pré-natal de malformação por idade avançada, malformações em gestações anteriores e uso de drogas teratogênicas na atual gestação. Esse grupo constitui o que chamamos de grupo preventivo.

2. Grupo 2 - aquelas que já tiveram um diagnóstico de malformação fetal. Esse é o grupo chamado terapêutico, referido ao Programa para confirmação, orientação e ou acompanhamento.

 

 

Método

Todas as gestantes que vêm ao P.M.F., passam por uma entrevista inicial com a psicóloga, quando é estimulada a expressar livremente suas emoções e sentimentos em relação à gravidez atual, e aos problemas que motivaram a consulta. Atenção especial é dada a questões relativas à suas expectativas e ansiedades, bem como o seu conhecimento a respeito dos problemas que a trouxeram ao Serviço. Neste momento é fornecida uma série de orientações sobre os processos diagnósticos adotados em seu caso, especialmente a realização do ultra-som e possível cordocentese.

 

Toda vez que vem para uma consulta de pré-natal, encontra-se com a psicóloga para discutir suas emoções e ansiedades. Quando possível a psicóloga acompanha particularmente os procedimentos os “invasivos” e procura assistir ao parto e o pós-parto imediato. O seguimento dessa paciente em aconselhamento acontece pelo menos mais duas vezes: seis semanas após o parto, quando vem para a revisão de parto e na ocasião do aconselhamento genético com o especialista, no que diz respeito a seu futuro reprodutivo. Essa última etapa é extremamente importante para que a paciente possa compreender inteiramente a seqüência de eventos por que passou e projetar seu futuro.

 

 

4. Resultados

Das setenta e três primeiras pacientes atendidas no PMF, 25 formaram o “grupo preventivo”. Foram encaminhadas por causas outras que uma malformação fetal: três tinham idade materna avançada (acima de 40 anos); cinco suspeita de fetos com infecções congênitas; duas com gestação gemelar, complicada pela síndrome de transfusão feto-fetal, e duas por história de doenças genéticas relacionadas na história paterna.

 

Todas essas gestantes tiveram cariótipo e ultra-som morfológico de seus fetos considerados normais. Quarenta e oito gestantes foram classificadas no grupo 2: “grupo terapêutico”, por apresentar diagnóstico ultra-sonográfico de malformação. Cariótipos anormais foram encontrados em oito gestantes cujos fetos tinham uma malformação. O resultado do diagnóstico do pré-natal foi tranqüilizador para as gestantes do grupo preventivo, por colocá-las de volta no caminho da gravidez normal (com exceção dos 2 casos de transfusão feto-fetal). O próprio procedimento técnico utilizado para diagnóstico foi terapêutico, solucionando-se a crise desencadeada pela possibilidade de problemas com o feto.

 

Embora houvesse diferenças a depender das próprias malformações fetais e de acordo às personalidades das pacientes e seus companheiros, foram observadas similaridades entre as reações que experimentaram ao longo do processo de absorção do impacto e elaboração da notícia.

 

De modo didático as gestantes de grupo terapêutico experimentaram:

 

1. Choque

O impacto relatado da notícia e/ou confirmação da malformação fetal é enorme. A primeira reação é de uma verdadeira “paralisia emocional”, seguidas de idéias como “Isso não pode estar acontecendo comigo” etc. Existem sentimentos de incapacitação em lidar com a situação e até mesmo de não ser capaz de sobreviver a ela.

2. Negação

Porque a realidade de um feto malformado é tão difícil de lidar, há a sensação de que isso “não está acontecendo”, ou que existe um erro no diagnóstico. Esses sentimentos podem retardar a busca por um atendimento especializado para esclarecer a situação, complicando o prognóstico.

3. Tristeza e raiva

Esse é o início da elaboração psíquica. A paciente pode entristecer-se pela perda do bebê sonhado e entra em contato com esses sentimentos de dor e frustração, sendo capaz de expressá-los, de chorar, de ficar com raiva. É uma raiva para com ela mesma, por não ter sido capaz de conceber um bebê normal, e algumas vezes essa raiva é direcionada para outros: seu companheiro, a família, os médicos. É uma maneira de tentar livrar-se de sua própria culpa.

4. Estabilidade

A ansiedade da paciente reduz-se quando ela é capaz de ter um suporte emocional, e quando absorve as informações corretas a respeito da patologia. Pode então ter uma compreensão maior de toda a situação e adaptar-se melhor a ela .

5. Reorganização

Quando a paciente se envolve e participa ativamente do diagnóstico pré-natal e suas ansiedades são acolhidas, é capaz de reorganizar-se emocionalmente . O novo bebê é agora visto como uma criança doente e não mais como um monstro que poderia fazer mal a ela. A fragilidade inicial demonstrada dá lugar a um sentimento de uma capacidade crescente de enfrentar a situação. Existem casais que se reaproximam durante essa fase - a crise promovendo seu crescimento. Outros, não conseguem dar conta da angústia e distanciam-se um do outro, algumas vezes até divorciam-se - a crise como um processo desruptivo. Esses estágios variam de intensidade e duração. Algumas não conseguiram sair da fase de “Negação”, ligando-se de forma maníaca a falsas esperanças. Outras se recusaram a acreditar que seus bebês têm uma síndrome grave e abandonaram o pré-natal. Outros casais ficam paralisados na tristeza, deprimindo-se, em situação que se estendeu muito além do puerpério.

 

 

5. Discussão

O diagnóstico de uma malformação fetal causa freqüentemente um processo desruptivo na mulher grávida, habitualmente mais vulnerável devido às mudanças internas (e externas) que acompanham todo ciclo gestacional, parto e puerpério. Essa vulnerabilidade emocional pode facilmente se transformar numa crise psíquica, quando a realidade confirma medos e fantasias primitivas em relação a si mesma e ao bebê. Esse processo pode se estender a toda família que está envolvida na gestação (pai, irmãos, avós) que também tem suas próprias expectativas em relação ao bebê. Todos eles terão que mobilizar variada plêiade de recursos emocionais internos, normalmente desconhecidos para eles, para serem capazes de lidar com a situação.

 

O suporte emocional é muito importante nesse momento para ajudá-los a encontrar sua própria maneira de envolver-se com a crise sem se perder nela. Normalmente, quando vêm pela primeira vez ao PMF, a ansiedade e o sofrimento são intensos. Procuram respostas imediatas para seus problemas. Quando o psicólogo os escuta e abre um espaço para permitir e discutir o medo, a dor e as dúvidas que podem aparecer e serem contidas, sentem-se ajudados e fortalecidos. Ao esclarecer o processo diagnóstico, que em geral leva tempo, há um efeito que os instrumenta a lidar com suas ansiedades. Percebem que podem acompanhar o estudo diagnóstico passo a passo esclarecendo suas dúvidas, tornando-se progressivamente capazes de decidir sobre o que fazer. Quando essas gestantes são orientadas sobre a patologia de seu bebê, e conseguem compreendê-las melhor, todos os procedimentos médicos tornam-se menos ameaçadores. Obviamente existem grandes expectativas em relação aos resultados dos exames a realizar especialmente ao cariótipo fetal. Um resultado normal é restabelece a confiança e leva a resolução da crise: é terapêutico.

 

O resultado anormal provoca quebra violenta e dramática nas expectativas do casal. Aparecem rapidamente fantasias de incapacidade, morte e destruição. Dáse início de um período de luto pela perda do bebê saudável, enquanto novas expectativas têm que ser incorporadas a vida do casal. Quando uma malformação incompatível com a vida é diagnosticada, a família estará diante de uma outra decisão dificílima de ser tomada: interromper ou não a gestação. É importante enfatizar que essas mulheres são atendidas numa realidade onde a interrupção da gestação só é permitida em caso de risco materno ou de gravidez resultante de estupro. Entretanto, casos especiais em que o feto seguramente não sobreviverá ao útero materno após o nascimento, têm sido avaliados por juízes a pedido do casal, e sentenças favoráveis têm sido determinadas, permitindo-se a interrupção legal da gestação.

 

Alguns casais optam por levar a gravidez a termo por questões de princípios morais ou religiosas. Qualquer que seja sua decisão será acolhida pela Instituição e pela equipe multiprofissional do Programa de Medicina Fetal. Importante salientar que a posição institucional e do PMF nunca propõe esta atitude. Apenas propicia espaço para a discussão e reflexão dos envolvidos, orientando-os para um arbítrio livre e informado, acolhendo ao final qualquer que seja sua decisão. Quando essas mulheres entram em contato com a realidade da malformação antes do bebê nascer, tem a oportunidade de lidar com o problema antes do parto se consumar, preparando-se emocionalmente para um parto diferente do procurado originalmente, o que pode fazer dessa experiência algo positivo e significativo para o qual foi preparada. Se o bebê vai para a unidade Neonatal a psicóloga segue o casal enquanto durar a sua hospitalização, período que por si só já é uma experiência muito difícil para a família. A realidade confirma todas as previsões, desaparecendo as falsas esperanças ou retorno. Novas situações que, entretanto, causam ansiedade, têm que ser enfrentadas. Existe sempre um longo caminho a ser percorrido até que o bebê possa ir para casa com seus problemas ou venha a falecer. O processo de elaboração do luto é difícil e longo, mas pode ser concluído de maneira satisfatória quando o suporte é psicológico e multidisciplinar é precoce, contínuo e permanente.

 

 

6. Conclusão

O atendimento psicológico é significativo na ajuda às pacientes cujos fetos têm uma malformação diagnosticada. Faz-se necessária ao longo de todas as fases do processo de elaboração dessa situação caracterizada claramente com uma crise. A possibilidade de pensar, expor medos e angústias, torna as pacientes menos vulneráveis mais aptas e capazes de lidar com as inúmeras dificuldades que situações delicadas como essas apresentam. O suporte psicológico permite que essas mulheres possam tornar-se participantes ativas no processo diagnóstico e terapêutico, ao descobrir recursos internos fundamentais para tanto.

 

O desejo inicial de serem cuidadas, que os médicos e a equipe atendente tomem decisões em seu lugar, por estarem muito fragilizadas, dá lugar a outros questionamentos que promovem seu crescimento e os fazem atores da decisão e dos acontecimentos relacionados. Buscam então, outros significados para essa experiência que podem ser incorporados em sua vida futura de forma produtiva. A participação da psicóloga na equipe multidisciplinar ajuda identificar com que os aspectos emocionais das pacientes ganhem importância e mereçam uma atenção mais cuidadosa por parte de todos.

 

 

Summary

PSYCHIC REACTIONS IN PREGNANCY COMPLICATED WITH FETAL MALFORMATION

 

Objectives: describe and analyze patients’ psychic reactions while assisted at Programa de Medicina Fetal (PMF). Patients were referred for diagnosed or with suspect of feta malformation.

Methods: A retrospective research was performed on patients’ records assisted at PMF do Centro de Atenção à Saúde da Mulher (CAISM)/UNICAMP, São Paulo, Brazil, a public tertiary medical care institution. Study period covered its first year of activity, with emphasis on medical consultations and psychological counseling, were 73 patients were seen between June 1993 and June 1994. Patient’s psychic reactions to the diagnose of fetal malformation were analyzed on individual interviews.

Results: Psychic reactions varied in intensity and are described as shock, denial, sadness-anger, emotional instability and reorganization.

Conclusion: Psychological counseling is of significant help to patients submitted to diagnostic process of fetal malformation.

Key words : fetal malformation, pregnancy psychology, maternal psychology

 

 

 

Referências bibliográficas

1. Caplan, G. Principles of preventive psychiatry. New York: Basis Book, 1964

2. Maldonado, M.T. Psicologia da gravidez. Petrópolis: Vozes. 7ª edição, 1985

3. Soifer, R. Psicologia da gravidez, parto e puerpério. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986

Artigo pode ser baixado em texto original aqui

"Sexta-Feira 13" - Um pouco de História

E-mail Imprimir PDF

Brasão da Ordem dos Pobres Cavaleiros de CristoTriscaidecafobia é um medo irracional e incomum do número 13. O medo específico da sexta-feira 13 (fobia) é chamado de Paraskavedekatriaphobia ou parascavedecatriafobia, ou ainda frigatriscaidecafobia.

São várias as explicações sobre a “Sexta-Feira 13”, muitas não se sabe nem a origem, mas a que parece ser a mais condizente, inclusive consta dos estudos de História, é a que se segue: a perseguição e o fim com a morte na fogueira para a maioria dos cavaleiros da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e Templo de Salomão, na Idade Média, na Época das Cruzadas.

(Fonte: Internet - Wikepedia e outros)

Era Sexta-feira, 13 de Outubro de 1307.

Um dia fatal para os Templários e lembrado supersticiosamente ainda nos nossos dias como a azarenta ‘Sexta-feira 13’. Ao fim da tarde desse dia, agentes do rei Filipe IV atacaram num assalto fulminante, acusaram e prenderam Templários por toda a França. A data tinha sido escolhida pela coincidência da visita à França de vários líderes Templários, incluindo o próprio Grande Mestre Jacques DeMolay. Mas quando os agentes entraram no Templo em Paris, sede dos Templários, descobriram que todos os documentos e, mais importante ainda para Filipe, o tesouro, tinha sido removido. Os agentes também tentaram capturar a frota Templária, a maior da Europa, que estava atracada em La Rochelle. Mas uma vez mais se frustrou a intenção — a frota tinha já partido.

Até hoje a vasta riqueza dos Templários nunca foi encontrada. Nem tão pouco foi descoberto para que porto a frota seguiu — ou onde atracou. Mas os Templários não tentaram esconder-se a eles próprios e, na manhã seguinte, vários milhares tinham sido feitos prisioneiros. Juridicamente falando, essas prisões eram ilegais. Os Templários respondiam unicamente ao Papa. Mas o Papa, Clemente V, francês, devolveu esse poder para Filipe. O rei francês, que transferiu o assento papal de Roma para Avignon, na França, pediu esse favor.

Filipe esteve também por trás da morte suspeita do precedente Papa, deixando assim o trono papal livre para Clemente. Inevitavelmente, o Papa toma o partido de Filipe e, com apoio papal, ataques similares foram feitos aos Templários através da Europa. Iriam ser todos levados a julgamento. Aqueles que acatavam as acusações levadas contra eles eram abandonados com uma mísera pensão, deixados na miséria ou ainda como pedintes. Qualquer um que recusasse era encarcerado para toda a vida. Mais de 120 foram queimados na fogueira.

Após as torturas, confissões e execuções, Clemente V aboliu oficialmente a Ordem dos Cavaleiros Templários a 22 de Março de 1312. O Grande Mestre Jacques DeMolay, foi um dos que confessou. Mas a 14 de Março de 1314, enquanto era exibido no exterior da catedral de Notre-Dame em Paris para ouvir a sua sentença de prisão perpétua, DeMolay proferiu uma dramática declaração:

"Eu admiti de fato que a Ordem era culpada. Mas unicamente assim agi para evitar contra mim as terríveis torturas — A vida foi-me oferecida, mas pelo preço da infâmia. Por este preço, a vida não vale a pena ser vivida."

Como publicamente retratou a sua confissão, Jacques DeMolay, o último de 22 Grandes Mestres da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e Templo de Salomão, foi queimado vivo em Paris. E enquanto expirava, amaldiçoou o rei Francês e o Papa. Disse que no prazo de um ano seriam chamados a prestar contas pela perseguição aos Templários. Apenas um mês depois, o Papa Clemente V faleceu, aparentemente de causas naturais. A 29 de Novembro do mesmo ano, Filipe IV morreu também num acidente a cavalo enquanto caçava.

Teriam assim os Templários poderes ocultos? Teria realmente efeito a praga DeMolay?

 

Veja também:

Programa Globo Repórter - Sexta-feira, 13 de outubro de 2006 - Ivan Sinigaglia N Pereira

http://br.youtube.com/watch?v=yCs5XePQY_o

A saúde mental do médico

E-mail Imprimir PDF

LoucoUma realidade ignorada. Recentemente um assunto vem ganhando destaque nas preocupações dos médicos e cuja resposta não é tão simples como alguns pensam.

Senão vejamos,o que fazer quando um médico fica doente? Será que ele tem a compreensão dos seus colegas de profissão? Será que ele se preparou para esta contingência? Como é que fica a sua sobrevivência? E a sobrevivência de seus familiares? E quando a doença que o afasta do trabalho for uma doença psiquiátrica? Será que o preconceito existente contra os doentes mentais, ainda presente entre os médicos também se aplica quando um médico adoece mentalmente? Se este preconceito existe, como é que o médico faz para se tratar?

 

JubertyDr. Juberty Antônio de Souza - Psiquiatra e Conselheiro
Publicado no: Conselho Federal de Medicina em 12.07.2007


Para conhecer a realidade da profissão médica, e dos médicos, o Conselho Federal de Medicina promoveu, no ano de 2005, uma pesquisa de alcance nacional, buscando as informações em nível nacional e regional.
Mas quem é este médico que estamos abordando? Será que a realidade e as características são iguais? Algumas considerações devem ser feitas. A primeira delas é que o médico é oriundo de uma população, de uma cultura nacional e com toques regionais. Desta forma, este médico traz consigo as mesmas características desta população com as suas crenças, com as mesmas preocupações e, também, apresentando as mesmas doenças.
No Brasil, este trabalho contabilizou um total de 253.554 médicos, sendo 70% do sexo masculino, com 22% tendo mais de 50 anos de idade. Desta população, 30% tem mais de quatro atividades ou locais de trabalho e, ainda, mais de 20% trabalham em mais de duas cidades.
Considerando os rendimentos, 11% têm outras atividades que não a medicina, 12% percebem rendimentos de até 2.100,00 reais; 51,5% ganham até R$ 4.500,00 e apenas 1.2% auferem rendimentos acima de R$ 14.000,00. De longe percebe-se que a profissão deixou de ter glamour e a “aura” de algumas décadas atrás. Hoje tem que disputar o trabalho com o ressentimento, com a propaganda contra e com todas as vicissitudes.
E quando adoece? A cada ano 21% desta população necessitará de ajuda psiquiátrica; 12% apresentarão algum quadro de ansiedade e de depressão; 6% terão problemas com álcool e drogas ilícitas e 3% apresentarão doenças graves. Estas proporções são semelhantes às taxas da população comum, mas parecem muito aumentadas pelo fato de estarmos falando de médicos que, no imaginário popular, não podem, não devem e não ficam doentes.
Nesta situação ocorre um paradoxo: os médicos têm maior quantidade de informações, portanto teriam maiores condições de prevenção, deveriam ficar menos doentes, seguir o tratamento de forma mais adequada. Entretanto, o que se verifica é que os médicos apresentam maior vulnerabilidade, procuram menos ajuda, apresentam maior número de abandonos ao tratamento e ainda apresentam maior número de complicações.
Por que isto acontece? Por que o médico não procura logo a ajuda que necessita? As respostas são muitas e conhecidas: por não reconhecer as suas necessidades, não se aceitar como doente, ter vergonha e orgulho para pedir ajuda, tem medo de que a sua imagem seja prejudicada, não aceita as suas limitações, tem receio de não ser compreendido e então ser maltratado pelos seus pares e, principalmente, o hábito de se medicar.
Mas o que leva a isto tudo? Também as respostas são conhecidas, mas de difícil resolução num país que elegeu recentemente o médico como culpado de tudo, o “bode expiatório”, a “bola da vez”. Assim, os salários irrisórios levando à necessidade de vários empregos em cidades diferentes, sem planos assistenciais, alvo permanente de vigilância, vulnerabilidade na mídia na qual divide espaço com crimes, trabalhando sem condições principalmente em órgãos públicos, evidenciando assim o pouco caso histórico das nossas autoridades federais e considerando o responsável pelo caos da saúde no País.
È conhecimento do dia-a-dia que quando a saúde do País vai bem o sucesso é creditado ao sistema, mas... se há o fracasso é culpa do médico.
Alexandrina Meleiro em trabalho no INCOR/SP encontrou que dentre os médicos lá, 60,4% apresentavam depressão enquanto que 33,4% apresentavam alcoolismo confirmando o que já se pensava da vulnerabilidade dos médicos frente às doenças psiquiátricas.
Também é de longo tempo conhecido que entre as especialidades as mais vulneráveis são a psiquiatria, a anestesiologia, a medicina intensiva e a cirurgia, sendo que raramente estas pessoas chegavam ao tratamento e no nosso Estado não é diferente.
Por isso e seguindo a idéia do Conselho Federal de Medicina, o Conselho Regional de Mato Grosso do Sul iniciou os estudos e está em fase de implantação do Projeto de Saúde do Médico, iniciando pela saúde mental.
Esta escolha se deu pela alta prevalência das doenças mentais entre os médicos da região, pela verificação de que grande parte das vezes os médicos não tinham como pagar o seu tratamento, sem ter como sobreviver sem o trabalho e sem ter ainda como retomar as suas atividades.
No ano de 2006 em nosso Estado tivemos 18 médicos internados por doenças mentais com diagnósticos de transtorno afetivo bipolar, depressão, alcoolismo e dependência química. Vários deles não apresentavam nenhum plano de saúde. Este número é dos que tiveram tratamento, mas é conhecido o fato de que em Campo Grande há pelo menos a mesma quantidade de médicos que necessitam de tratamento.
O acesso ao tratamento (ambulatorial ou em regime de internação) é possível através da procura espontânea, do encaminhamento pelos familiares e colegas ou ainda pelo próprio CRM-MS.
O CRM-MS, através do conselheiro Juberty Antônio de Souza, psiquiatra, terá a responsabilidade de providenciar o tratamento, pelo atendimento direto ou pela indicação de outro psiquiatra, que dará o tratamento necessário e de forma diferenciada para atender ao médico e, ao mesmo tempo, salvaguardando a sua imagem.
Recentemente, o CRM-MS firmou um convênio com a Santa Casa de Campo Grande, que se comprometeu a disponibilizar acomodações diferenciadas para o atendimento dos médicos em tratamento. Ainda o CRM-MS está em negociação para que a UNIMED se responsabilize por gastos de tratamento em outros estabelecimentos, bem como a dos honorários médicos com os valores da cooperativa.
Em contrapartida, o médico em tratamento assinará um termo de compromisso de que se submeterá ao tratamento e quando o médico em função de sua doença não tiver condições de fazê-lo um familiar deverá se responsabilizar.
Ainda caberá ao CRM-MS garantir condições éticas no tratamento, tanto para quem está sendo tratado como para o médico assistente, que terá garantido todos os direitos e condições éticas para o seu trabalho.
O médico assistente deverá envidar todos os esforços para o tratamento do médico paciente e obrigatoriamente informar ao CRM-MS do abandono do tratamento, mas sem abrir mão do sigilo médico, garantindo desta forma as condições para a criação do vínculo desejado na relação médico-paciente.
Com esta iniciativa, o CRM-MS reconhece e deseja que seja o reconhecimento de todos os médicos do Estado de que: o médico é uma pessoa e como tal deve ser tratado, o médico como paciente deve assim ser tratado, respeitado e reconhecido os seus direitos de cidadão, como o tratamento em boas condições técnicas, éticas e de sigilo.


Juberty Antônio de Souza
Conselheiro

2º Simpósio Internacional em Educação e FIlosofia

E-mail Imprimir PDF

SimpósioSimpósio Internacional  

Posted by Blog da redação in Evento educacional

De 25/8/2008 à 29/8/2008 - 2º Simpósio Internacional em Educação e Filosofia

Com o tema “Experiência, Educação e Contemporaneidade”, o evento será realizado em Marília (SP). Destina-se à comunidade científica (profissionais, docentes e alunos de graduação e de pós-graduação) interessados na temática a ser abordada e, particularmente, em discutir as relações entre educação e filosofia.

No primeiro dia será realizado o minicurso “O problema da experiência na filosofia de Dewey e Foucault”, com Jim Garrison, da Virginia Tech, Estados Unidos. A sessão de abertura “La dignidad de un acontecimiento. Acerca de una pedagogía de la despedida” ficará a cargo de Fernando Bárcena Orbe, do Departamento de Teoria e História da Educação da Universidade Complutense de Madri, Espanha.

O simpósio é organizado pelo Grupo de Estudo e Pesquisa Educação e Filosofia (Gepef) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A programação completa do evento, que tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica, e mais informações estão disponíveis em
www.gepef.pro.br/evento.htm

(Fonte: Agência Fapesp)